ITENS DE MODA QUE TRIUNFARAM A PARTIR DE CRISES

 

Por: @marinamartins.styling

 Ao estudarmos a  História do último século, veremos que os maiores momentos de crise da civilização foram também os maiores propulsores das invenções e descobertas nas mais diversas áreas, inclusive na Moda. Vejamos a seguir, uma série de itens de moda que surgiram a partir destes períodos conturbados:

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) nos trouxe o zíper – afinal os soldados precisavam se vestir com a maior praticidade possível – e o clássico Trench Coat, casaco comprido impermeável com bolsos utilitários, criado originalmente pela grife inglesa Burberry. O uso desta peça foi tão difundido pelos militares, que ela acabou sendo batizada como “casaco  de trincheira”.

Com a maioria dos homens adultos combatendo na guerra, as mulheres  foram obrigadas a se inserirem no mercado de trabalho e, consequentemente, precisaram de um vestuário menos restritivo e mais funcional que permitisse maior mobilidade. Foi nesta época que o espartilho caiu em desuso, dando lugar aos primeiros sutiãs.

Logo após a 1ª Guerra, o mundo não teve trégua: surge a gripe espanhola, originada nos Estados Unidos e noticiada principalmente pela imprensa da Espanha,  e se dissemina por vários continentes, matando mais de 50 milhões de pessoas. Pela primeira vez, se adotou o uso de máscaras faciais e medidas de isolamento social ao redor do globo. Vale mencionar também que, no Brasil, foi esta pandemia a responsável pela criação do SUS e até mesmo da caipirinha, uma bebida que hoje é patrimônio cultural, mas que naquela época foi divulgada como um possível remédio caseiro para a gripe.

Na grande recessão econômica de 1929, o número de vendas de batom disparou. Este fenômeno ficou conhecido como “The Lipstick Effect” e comprovou que, mesmo nos períodos de crise, as pessoas se permitem pequenos luxos, como forma de manterem sua autoestima e, assim, se sentirem mais preparadas para enfrentar um momento  difícil.

Já durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), surgiram inventos cosméticos, como a maquiagem de risca para as pernas,  uma vez que a fabricação de meias calças foi interrompida e este item era considerado essencial no guarda roupa feminino.

Além disso, surgiram itens como o coturno, criado pelo Dr. Klaus Maertens, um médico do exército alemão que havia machucado o tornozelo e precisava de uma bota mais ergonômica. O calçado, cuja estética foi inspirada no estilo militar, passou a ser então um produto ortopédico, sendo incorporado  pela moda somente nos anos 80  no movimento punk.

Surgiram também os sirens suits (“ternos das sirenes”), uma espécie de macacão confortável e prático que poderia ser rapidamente vestido por cima do pijama caso houvesse um bombardeio ou situação de emergência e alguém precisasse fugir de casa correndo no meio da noite.

Além disso, vale ressaltar também a resiliência da moda e da Alta Costura francesa durante a ocupação alemã. A França era a referência mundial da moda e do “bom gosto”, e o governo alemão fazia de tudo para tomar seu poder de influência cultural.

Em resposta, surgiram iniciativas para reafirmar a moda francesa, como o Thêatre de la Haute Couture (um espetáculo teatral de marionetes usando mini peças de alta costura). As matérias-primas têxteis estavam em escassez e houve racionamento destes materiais para a população, que recebia tickets limitados para comprar tecidos e aviamentos. O comprimento das roupas em geral foi encurtado.  Houve até a proibição de bainhas, uma vez que as roupas sofreram tantas restrições.  A solução foi ousar nos chapéus: estes se tornaram cada vez mais ornamentados e mais opulentos, incluindo itens como flores, folhagens, frutas e até mesmo animais empalhados.

Após a guerra, Christian Dior lança seu icônico “New Look” em 1947, que retoma a silhueta ampulheta e maximiza o volume das saias, que  passaram a usar cerca de 7 metros de tecido em sua confecção. Dessa forma, o New Look simbolizou a superação dos tempos difíceis de restrição e a celebração do poder aquisitivo, do glamour, do luxo e da feminilidade. Foi o estilo que definiu o vestuário feminino da década seguinte, e também simbolizou o retorno da mulher para o âmbito doméstico.

Avançando mais de 70 anos na  História, chegamos  à atualidade marcada pela pandemia do coronavírus. Percebemos que vamos ter que adaptar nosso estilo de vida e de vestuário por um bom tempo, até que surja a vacina. Dessa forma, as máscaras, que eram um item puramente médico ou de segurança, começam a ser produzidas nas mais variadas cores e tecidos, sendo uma extensão do look. A cobertura antiviral têxtil, composta por partículas de sal de prata, chega ao mercado e passa a ser uma das grandes apostas da indústria. Outras tendências de vestuário também ganham força, como o One Mile Wear e o Atlheisure, ou seja, a incorporação de peças confortáveis esportivas ou de loungewear no vestuário casual.

Por fim, vale citar os tipos de peças que mais foram vendidas durante a pandemia, segundo a empresa Tecidos Kite: peças de cima, afinal somente elas aparecem na webcam e peças e tecidos confortáveis, como moletons, tricôs, malhas e viscose.

Saber interpretar o espírito do tempo e as novas necessidades do consumidor é a chave para criar um produto de moda de sucesso. Se você quer aprender mais sobre este processo e criar coleções assertivas, contando com a orientação de profissionais de destaque do mercado, sugerimos nosso curso de Branding e Desenvolvimento de Coleção.

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