Navegando no período de crise: como empresas de moda se adaptaram ao coronavírus

Por: @marcela_viana_

Se, como dizem, “mar calmo nunca fez bom marinheiro”, o que acontece com a equipe de bordo quando até o barco precisa passar por mudanças? O novo coronavírus tem gerado muita mudança externa, que vem demandando diversas remodelações internas nas empresas.

No ramo da moda, por exemplo, o contato físico com o cliente foi reduzido a praticamente zero e a rotina de experimentar roupas em provadores mais parece um devaneio. Na administração interna, por sua vez, colaboradores passaram a trabalhar em regime de home office, sem previsão para retornarem aos escritórios corporativos.

Esse, por exemplo, foi o caso da  Chico Rei, empresa de moda com 12 anos de existência. Segundo o diretor de Relações Humanas (RH), Lucas Carnicelli, desde março todos os colaboradores passaram a trabalhar em home office.

 

Marcas de moda na pandemia
Lucas Carnicelli (Imagem: João Schubert | @emburrado)

 

“A grande mudança foi a forma de comunicação remota com as equipes do escritório. Passamos a fazer mais reuniões virtuais e a enviar pesquisas de monitoramento a fim de manter a proximidade que já existia”

Ademais, Lucas menciona que a marca fez uma parceria com uma psicóloga para auxiliar a equipe nesse momento de tantas incertezas.

“Mais do que nunca, tivemos que nos apoiar uns nos outros e entender mais o lado das pessoas com quem trabalhamos. E isso se refletiu no constante crescimento que nossa empresa tem tido. Apesar do momento difícil, contratamos 18 pessoas nesse período.”

Por fim, Lucas menciona as lições da pandemia. De acordo com o diretor de relações humanas, houve um grande aprendizado sobre saúde e higienização. A empresa, por exemplo, planeja manter o acompanhamento com a terapeuta e o transporte particular para os funcionários da fábrica.

Além do aprendizado, a pandemia definitivamente demandou que planos fossem alterados. Esse foi o caso de Márcia Gattai, proprietária da marca de roupas plus size,  Fofura Pimenta.

 

Empresas de moda na pandemia
Márcia Gattai (Imagem: @vanessa.photoart)

 

Antes da pandemia, a loja oferecia bijus e brechó plus size. Entretanto, após o coronavírus, Márcia optou por focar na venda de roupas novas.

“Parei a produção de bijus desde março  devido à pandemia, porque metal é mais complicado pra higienizar – tem  as pedras, etc… […] Por questões de segurança e higiene, também não quis mais receber roupas seminovas.”

Além disso, outras mudanças significativas para as marcas de moda foram nos calendários de produção editorial e no atendimento ao cliente. De acordo com Márcia, o plano em 2020 era fazer ensaios semanais, mas o ritmo teve que ser diminuído.

“Fiz um ensaio fotográfico no terraço do prédio, porque o local é aberto e ventilado, com duas modelos e uma fotógrafa. Todas estavam com máscara. Além da presença do álcool em gel. A escolha do local seria outra, se não fosse a pandemia. Estou me adaptando…”

Em conclusão, os planos para o futuro da  Fofura Pimenta envolvem o foco no online. O site da marca está em construção e vem para fortalecer o atendimento a distância, já que Márcia preferiu por não atender mais clientes na sua casa, onde oferecia provas de roupa.

E se o futuro necessitou ser replanejado, o que deu tempo de mudar no presente? Para Alice Sodré, sócia fundadora da  Vultus, a redução do ritmo foi o que permitiu tirar a empresa do papel, e fundar a marca de roupas em sociedade com Isadora Lucena.

 

Companhia de moda na pandemia
Alice Sodré e Isadora Lucena (Imagem: Sebastian Rivera T.)

 

“Acho que a quarentena nos ajudou, de certa forma, a ter mais tempo para pensar e criar nossos produtos, assim como todo o conteúdo.”

A  Vultus, que nasceu na pandemia, é fruto da paixão de Alice por trabalhos manuais e de Isadora pela fotografia. Segundo a empreendedora, o conceito da marca é voltado para o slow fashion, a partir da oferta de produtos artesanais.

Ademais, Alice menciona que pondera com a sócia sobre como a  Vultus se adaptará ao mundo pós-pandemia. O que é certo, por outro lado, é a animação para conferir as clientes vestindo as peças.

“Quando voltarmos a viver sem o distanciamento, vamos sair e ver mais coisas, que vão abrir nossa cabeça. Sem contar que teremos o prazer de ver nossos clientes usando a Vultus por aí, e isso vai nos inspirar cada vez mais!”

Na ausência das experiências físicas, as marcas de moda ainda podem oferecer, pelo menos, o contato do cliente com o tecido, o cheiro e a textura de suas peças, chegando ainda nas casas das pessoas e ajudando-as a se sentir parte de algo, enquanto aguardamos que a tormenta se afaste e a vacina se aproxime.

 

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