Transparência na criação da identidade da marca é foco de encontro no segundo dia do RMDI 2017

Por Thaís Silveira

Contar uma história verdadeira ao consumidor: essa é a premissa para o sucesso de uma marca segundo as debatedoras Georgia Bonisson e Bebel Sader, da Bossa, Marcela Ciribelli, da Obvious, e Renata Guerra, da Hub77. As convidadas do segundo dia de talkshow do Rio Moda Discute Internacional 2017 afirmaram que as ideias da marca devem ser condizentes com as práticas dela. Segundo Georgia, lançar coleção é uma obrigação da marca e, para ela se destacar, deve ser criado um conteúdo por trás disso, ela precisa contar histórias. A Bossa é uma agência que presta assessoria de comunicação, a Obvious é uma plataforma de conteúdo que luta pela representação feminina e a Hub77 desenvolve estratégias de branding, que, de acordo com Renata, pode ser entendido como “colocar a marca no centro do negócio”.

Bebel explicou que a assessoria é a “cereja do bolo”, o final do trabalho de uma marca. A primeira cliente da Bossa foi a Lale, na época ainda pequena, e hoje uma loja conhecida na moda carioca. De acordo com elas, a maioria que procura o serviço são jovens empresas, mas as grandes também vão até elas para pensar em novas formas de chegar ao consumidor. Às vezes, uma empresa quer se tornar sustentável, mas, para isso, é preciso mudar toda a cadeia produtiva. Georgia explica que cada caso é diferente do outro. “Alguns clientes ainda querem se descobrir, outros vêm mais prontos. Mas é um trabalho a quatro mãos”, diz.

No projeto de comunicação da C&A desenvolvido pela Obvious, Marcella frisa a importância de criar uma narrativa verdadeira. Ela afirmou que as cariocas são múltiplas, e o público D, consumidor da loja, tem acesso à mesma informação que as outras classes. “O que existe é a estética de uma geração. A marca tem que entender o que o público quer ver. A diferença agora é que, com a internet, as pessoas têm voz”, conclui. Ela também levantou a questão da representatividade. “Estamos lutando para que todos os pontos de contato com o cliente sejam de conforto para a mulher. Eu não quero se representada pela mulher do comercial de cerveja”, afirma.

Renata, responsável pela abertura da Casa Ipanema, das sandálias Ipanema, afirmou que existe uma impressão de que dá trabalho refletir sobre a marca, mas, saber quem de verdade é a empresa facilita todo o trabalho. No desenvolvimento do branding, o objetivo dela é torná-lo mais acessível. “O branding era caro e demorado, mas ele pode ser mais rápido. Para uma marca nova, fazemos o trabalho em cerca de dois a três dias. É tudo feito com o cliente e especialistas, porque é preciso um mergulho no mercado”, explica.

Além de ter uma história forte para contar sobre a marca, Bebel acredita que é importante se relacionar com as pessoas. “Não adianta ter uma loja no shopping. A vida social é muito importante, porque quem não é visto, não é lembrado”. A Bossa aposta no trabalho de microinfluenciadores que possuem uma relação com a marca atendida pela agência. “É o que chamamos de comunicação orgânica: uma menina se sente bonita usando algum produto da marca, posta no Instagram, as amigas dela veem e gostam. Hoje, todas as pessoas são um canal. Temos que trazê-las para nós ”, finaliza Georgia.

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