Rio Ethical Fashion: por dentro dos dados do primeiro fórum de sustentabilidade na moda do Brasil

A primeira edição do Rio Ethical Fashion, que contou com apoio do Instituto Rio Moda, mostrou ao público presente que pensar sustentabilidade na moda requer mais esforço do que imaginamos e vai além dos clichês marqueteiros que temos visto. É preciso cercar-se de dados e entender a fundo a realidade do País, para então, traduzi-los em ações efetivas.

Em 2018, o Fashion Revolution Brasil lançou o primeiro “Índice de Transparência da Moda Brasil”, que analisou como as vinte maiores marcas e varejistas brasileiras de moda brasileira estão informando ao público sobre suas cadeias produtivas. O estudo tem como objetivo central incentivar a maior prestação de contas em relação aos impactos socioambientais do setor. Das vinte marcas analisadas, nenhuma atingiu mais que 60% de transparência; oito delas sequer pontuaram e a média foi de 17%. Tais números mostram a urgência de conscientização do setor!

A designer Larissa Roviezzo, da Re/GENERATE, ressaltou a importância de trazermos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para o dia a dia das empresas, pensando desde o design do produto. Para Nelsa Nespolo, da Justa Trama, é preciso repensar o modelo de negócio e o pensamento político. Atualmente, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo – desde o começo de 2019, já foram aprovados 197 novos tipos – e isso reflete também na produção de moda, que intoxica os trabalhadores relacionados ao cultivo de algodão e outras fibras naturais.

O brasileiro Felipe Vilella, da Farfarm, contextualiza dizendo ainda que muitos desses produtores não podem consumir o que vêm de suas terras devido ao alto grau de contaminação. Nelsa Nespolo diz que a sustentabilidade precisa ser pensada como um todo e, por isso, é urgente repensar a distribuição de terras no País, dando condições mais justas ao pequeno produtor, além de repensar os valores cobrados, para que quem produz também possa consumir. Em paralelo, Oskar Metsavaht, da Osklen, acredita que os produtos orgânicos e sustentáveis têm um preço elevado porque são um investimento no futuro da humanidade.

O estudo “Deeper Luxury”, do WWF, publicado em dezembro de 2017, questiona e investiga o que as principais marcas de luxo têm feito a respeito da sustentabilidade do planeta. Para Simone Cipriani, executivo da ONU e fundador da Ethical Fashion Initiative, precisamos aproximar as comunidades e os produtores, unir forças para uma sociedade mais justa. Junto com Carlo D’Amario, CEO da Vivienne Westwood, Cipriani levou parte da produção da marca inglesa para o Afeganistão. O investimento no país ajudou a capacitar profissionais e, agora, prepara-se para alavancar a indústria da região construindo um centro com tecnologia e capacitação.

Depois de tantas informações, é nítido que precisamos fazer muito mais e olhar além. Quais hábitos de consumo você tem repensado?

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