Publicidade de moda, o nascer de uma nova era.

Por Hannah Rubinstein

Entender que moda e publicidade caminham de mãos dadas não é novidade para ninguém, uma vez que a moda é algo que precisa tocar as pessoas, se fazer consumir, e a publicidade entra como um vetor fundamental para alcançar essa comunicação.

Mas o que é a publicidade de moda nos dias de hoje? O que as marcas querem vender? Quem elas querem atingir? Essas perguntas circulam e perturbam a mente dos profissionais do meio, e desafiam a nova geração a despertar o início de uma nova era.

Em 2015, a holandesa Li Edelkoort, uma das personalidades mais influentes do mundo fashion e especialista em tendências, ja havia decretado o “fim da moda” em 10 pontos de um polêmico manifesto. Sendo os tópicos 6 e 7 críticas específicas ao marketing e a publicidade. Em frases como “os anúncios são repetitivos e fica difícil entender os valores da marca” ou “esgotamento e morte da criatividade” Li deixa claro como as grandes publicações vem exibindo do mesmo, mantendo a exclusividade das grifes anunciantes, e saturando o olhar e o desejo ao invés de dar voz a novas marcas e novas propostas para a renovação da moda, e principalmente da maneira que ela é publicitada.

Apesar da previsão pessimista, de 2015 pra cá, muita coisa mudou e é notável a pequena luz no fim do túnel e uma lâmpada se acendendo nas ideias de lindas campanhas que renovam o cenário publicitário como um todo, mas o da moda principalmente.
A exemplo disso, vemos cada vez mais uma moda sendo transmitida por anúncios inclusivos, cheios de representatividade, caminhando e dialogando com os fortes movimentos atuais, principalmente com o feminismo, a sustentabilidade, a liberdade de gênero e sexualidade, e o movimento negro.

Gucci, que ficou marcada, principalmente na era Tom Ford, por uma cara super sensual, foi por muito tempo representada em campanhas publicitárias com modelos irreais e completamente dentro do padrão estético e repetitivo que se deu nas grandes grifes por anos. A marca, no entanto, vem dando o que falar e encantando o mundo com sua nova pegada autêntica, renovada e atual. Desde que Alessandro Michele assumiu a marca em 2015, muita coisa vem mudando. E a cara sexy e “clássica” vem sendo drasticamente (e lindamente) alterada por uma nova estética cheia de referencias e links atuais. Não atoa, a grife dona dos “GG” movimentou toda uma repercução positiva e repleta de elogios em cima da campanha de pré-fall 2017, fotografada por Glen Luchford, e estrelada por 4 modelos e 25 dançarinos, todos negros. Isso para a Gucci, para a moda, para a grande indústria de luxo, e principalmente para as campanhas publicitárias, é uma verdadeira revolução.

 

No mesmo caminho inclusivo e alinhado as tendências mundiais de representatividade, ninguém menos que Calvin Klein, preparou sua campanha de primavera-verão underwear 2017 com mulheres de 18 a 73 anos. Mulheres diversas, mulheres acessíveis! Dirigido pela cineasta, roteirista, produtora e atriz Sofia Cappola, a marca lançou um lindo video preto e branco que capta essas mulheres, de lingerie, falando sobre seus amores, paixões e até primeiros beijos. Uma reviravolta no histórico hiper sensual de campanhas de roupa intima da CK, com modelos de corpos esculpidos e ossos saltando para fora da pouca roupa grifada com as iniciais.

 

O Brasil, aparentemente, também segue o caminho da renovação. Recentemente, a fast-fashion Youcom, em campanha de inverno 2017, apostou na autenticidade e emponderamento. A marca, que diz preferir se divertir com fórmulas ao invés de repeti-las, parece de fato contar uma verdade. Na busca por personalidades inspiradoras, a campanha é estrelada pela cantora Liniker, performática e militante dos direitos lgbt e da liberdade de gênero e sexualidade. Liniker, se diz não ser isso ou aquilo, é Liniker, e faz do seu corpo e voz um meio político para transmitir uma liberdade na maneira de vestir-se, maquiar-se e manifestar-se. Junto de Liniker aparecem a modelo Cris Paladino, o artista plástico Henrique Rein, que retrata o universo feminino, a blogueira Naetê Andreo, que fala em seu canal do youtube sobre lifestyle e criatividade e a vencedora do concurso anual “Retrato Ideal e Otimista da Carioquice Autêntica”, Larissa Busch. Não é a primeira vez que a marca busca “gente de verdade” para estrelar suas campanhas, visando inspirar jovens a acreditaram na sua individualidade.

 

É sem duvida uma missão complexa renovar esse cenário, mudar as regras de um setor que até então apenas soube dita-las. Mas é um caminho inspirador e poderoso que nos faz acreditar numa nova era, na moda e na publicidade, ainda de mãos dadas, impactando e influenciando um novo jeito de criar, comunicar, tocar e transformar.

+Saiba mais: Workshop Rio Moda Publicidade de Moda 

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