O que mais rolou durante os talkshows do Rio Moda Discute Internacional 2017

Entre os dias 28 e 30 de agosto de 2017, a sexta edição do Rio Moda Discute Internacional (RMDI), explorou o tema Inovação em Moda: Business, Design e Comunicação. Com debates progressivos durante três dias de talkshows no Teatro Oi Casa Grande, profissionais renomados do mercado debateram sobre os movimentos inovadores que vêm contribuindo para criar padrões estéticos na moda, mudanças nos serviços do varejo e na forma como as empresas de moda se comunicam com o mercado.

Logo no primeiro dia de talkshow sobre Design, Renan Serrano contou sua experiência pessoal com sua marca Trendt, no mercado há 6 anos. Com um foco em peças universais e transgêneras, que abrange todos os biótipos, com a eliminação dos custos fixos e a descentralização como processo de desenvolvimento de coleção, a marca do designer é um verdadeiro jogo de transparência e cortes retos, enfatizando partes do corpo que não são mostradas normalmente. Em maio de 2017, Renan, junto à Olympikus, fez uma ação para homenagear Bernardinho – técnico de vôlei que comandou as Seleções Brasileiras de Vôlei masculina e feminina ao longo de 23 anos. A camisa criada pelo estilista foi feita a partir de fios de cada camisa usada pelas seleções em disputas importantes sob o comando do técnico, dando origem a uma peça única e exclusiva. Opções mais baratas e sustentáveis de produção é um dos pilares de Renan na Trendt. “No meu canal do youtube eu conto o passo-a-passo do que fizemos com os resíduos têxteis, agora é hora da indústria se conectar com designers e makers para viabilizar essa solução ou muitas outras que estão disponíveis a baixo custo”.

Divulgação

 

Já no talkshow de Comunicação, questionado sobre o fim dos anúncios e como a indústria de propaganda pode sobreviver sem empresas patrocinando campanhas, Márcio Callage, diretor executivo da agência CUBOCC, afirmou que as marcas estão começando a se adaptar agora às mudanças. “Eu não acho que os anunciantes estejam sumindo, eu acho que, hoje, existe outras alternativas de chegar ao consumidor. A indústria da propaganda não morre, mas o que passa a existir é um outro formato para gerar remuneração, o que não necessariamente se dá através de uma agência de publicidade agenciando a compra de mídia. Na indústria de turismo, por exemplo, nós não precisamos mais de uma agência de turismo para planejar uma viagem, mas esse setor continua gerando dinheiro. As empresas continuam chegando no consumidor, só mudou a forma de fazer isso”.

Co-fundador da AMARO – case de sucesso em lojas online, o suíço Lodovico Brioschi, especialista no setor financeiro, chegou à indústria da moda por acaso, e, hoje, investe na experiência única do conceito de omnichannel, que ainda é um desafio para muitos e-commerces. Questionado sobre o maior entrave do e-commerce no Brasil, Lodovico aponta a burocracia como um obstáculo muito grande para o crescimento das empresas. “A Logística é, sim, um desafio, mas é o mesmo desafio que teria nos Estados Unidos ou na Europa. No Brasil, o empreendedor precisa gastar muitíssimas horas e energia mental para atender a todas as demandas do governo, do fisco, as leis em continua mudança, etc, em vez que se focar 100% no core do negócio como poderia fazer lá fora”.

O empresário também afirmou que há bastante preocupação diária com o processo de produção e com a forma como se pressiona os funcionários e costureiras envolvidas. “Aqui na AMARO nós temos um programa de fiscalização mensal de todas as fábricas parceiras da marca para monitorar o respeito de todas as leis e as regras trabalhistas. Além disso, estamos desenvolvendo uma parceria com uma empresa que irá recolher todos os nossos retalhos para que eles não sejam descartados como lixo comum e possam ser reaproveitados. Todas as embalagens provenientes da logística reversa são recicladas e revertidas em novas embalagens, e por fim, para garantir o máximo de aproveitamento do tecido, que é a matéria prima principal da empresa, nós produzimos peças “extras” – mesmo que fora da coleção, para garantir o total uso dos insumos, evitando desperdício”.

Questionado sobre os parâmetros estudados e que os encorajaram a inovar no modelo de vendas, Lodovico se apresentou otimista. “O mercado de e-commerce está crescendo aproximadamente 10% por ano e a categoria de moda é a categoria mais vendida no país. Porém, hoje, no Brasil, apenas 4% de todas as transações de varejo acontecem online. Ou seja, 96 em cada 100 transações ainda ocorrem offline em lojas físicas. Nos EUA, este número é 11% e na Inglaterra já chegou em acima de 14%, então acreditamos que é um mercado bastante promissor”.

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