Novos mídias e formas de conectar pessoas são tema do segundo talkshow internacional do RMDI 2017

Por Thaís Silveira

“A moda está fora de moda”. A frase, do diretor executivo da agência CUBOCC, Márcio Callage, marcou o debate no segundo dia do RMDI 2017 sobre as mudanças na forma de se produzir conteúdo relevante na indústria da moda e de se comunicar com pessoas. A editora do Caderno Ela, suplemento de moda de O Globo, Renata Izaal, assinalou que o processo criativo não é mais pensado somente para o impresso, mas para diversas plataformas digitais. Os sócios e diretores criativos da agência April, Francesco Tiribelli e Alessandro Farinella, realizam projetos multimídia para marcas como Prada, Miu Miu e Gucci. Eles afirmaram que a tecnologia é apenas um suporte, e o potencial está no uso que podemos dar a ela.

Renata mostrou que, durante 50 anos do Caderno Ela, pouca coisa mudou na forma de se fazer jornalismo de moda. Mas, nos últimos três anos, com o avanço das tecnologias e das redes sociais, houve mudanças. “Antes, a marca vinha ao jornalista, que passava isso para o consumidor ou leitor. Isso mudou, principalmente nos últimos três anos. Mas as marcas precisam da nossa chancela, são 53 anos de história. Somos uma referência”, concluiu ela. Em sua apresentação, Callage afirmou que as pessoas são a própria mídia e, portanto, a marca precisa construir relevância na vida delas. Por isso, é preciso entender e se conectar com pessoas. Ele deu o exemplo de aplicativos de transporte que fazem sucesso por trazer facilidades e resolver problemas da população.

Renata também ressaltou a importância de ouvir o leitor. Segundo ela, os jornalistas ditavam o que era importante, mas, atualmente, é preciso ouvir as demandas dos leitores. Foi dessa mudança de pensamento que nasceu o Veste Rio, evento em parceria com a revista Vogue e a Fecomércio. De acordo com Renata, o papel do jornalista é contribuir para a cadeia produtiva da moda. No Veste Rio, surgem novos talentos: marcas escolhidas em um concurso serão apoiadas pelo Ela até completarem cinco anos. Renata pondera, no entanto, que o Caderno não promoveria uma Fashion Week, porque o jornalista deve ter liberdade para escrever sobre os desfiles.

Tiribelli e Farinella, juntos há 18 anos, são originalmente arquitetos, mas começaram a desenvolver projetos de comunicação, design e estratégias digitais. Tiribelli reforçou que o modelo a se seguir é o de cocriação. “O nosso trabalho depende de participações. Desde que começamos, era uma plataforma aberta. Acreditamos em trabalho colaborativo”. Renata acrescentou que a moda trouxe uma relação entre a redação e o comercial. Um exemplo são editoriais em que o internauta clica em uma roupa e é direcionado para o e-commerce da marca. No entanto, em uma publicação com o Ela, que está dentro d’O Globo, há mais fronteiras para parcerias comerciais.

De acordo com Callage, as marcas estão começando a se adaptar agora às mudanças. Ele afirmou que as coleções demoravam muito tempo para chegar nas lojas, e que muitas roupas são vendidas por preços às custas de exploração. “A culpa não é da indústria da moda, mas da aceleração do mundo com a tecnologia. Mas compreendendo pessoas, temos uma chance. Não preciso saber tudo sobre tecnologia, e sim como criar histórias que me conectam com pessoas”, explicou.

Sobre as mudanças nas formas das marcas se comunicarem, Tiribelli citou a nova estratégia da Prada: algumas campanhas são dedicados a canais específicos. Farinella acrescentou que criar novos canais também é um caminho necessário. “Os nossos colegas têm muito conteúdo a mostrar. O Instagram está cheio, todo mundo está superproduzindo”.

Com o bombardeamento de informações na era digital, a grande questão apresentada pelos convidados foi encontrar novas formas de produzir conteúdo relevante e de se comunicar com pessoas – marcas, leitores e consumidores.

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