Como a Tecnologia Influencia a Moda?

Por Pedro Ruffier

Netizens. Termo criado no início do grande “boom” da internet. Se previa que humanos se tornariam avatares digitais. Criou-se ali, toda uma ideologia sobre como a tecnologia transformaria como vivemos, em um mundo totalmente digital, sem nem considerar o mundo físico e real.

Até então não foge muito da realidade, pois vivemos em um mundo em que relações digitais substituíram boa parte do contato físico. Você mesmo lê este texto no formato digital. Além dos netizens, muitas vezes tememos o futuro e a tecnologia, como ferramenta do desemprego em massa no futuro, ou mesmo o crescimento e força da inteligência artificial que dominará através da robótica nossas vidas. Não tiro razão dos que temem a tecnologia, mas entendo que ela é a grande ferramenta de transformação da humanidade.

Vivemos também um momento de transição econômica, uma transição mental para um modelo mais ético, um modelo de inconformidade do status quo. Na indústria da moda, muitas destas mudanças vieram através dos sociais digitais. A informação entregue em segundos, potencializou e acelerou o crescimento dos consumidores críticos. O movimento Fashion Revolution é um exemplo, em que as mídias sociais contribuíram para um contato real e transparente com as empresas, que ao mesmo tempo sentiram esta cobrança e hoje correm para se reposicionar ou mesmo se adaptar por inteiro.

A exposição Fashion Experience, realizada pela Fashion Revolution em São Paulo.
A exposição Fashion Experience, realizada pela Fashion Revolution em São Paulo.

Não só a comunicação digital acelerada permitiu mudanças aceleradas, como a tecnologia e sua intrínseca inovação, possibilita a criação de novas metodologias que eliminam emissões ou pegadas ambientais, como processos de tingimentos sem necessidade de água, ou mesmo a criação de materiais biodegradáveis, reciclados e inteligentes, o biohacking que cria materiais provenientes de bactérias e leveduras que se adaptam ao crescimento do corpo entre outras funções, e as tecnologias que reciclam e incorporam ao ciclo de um novo produto, além das impressões 3D, fortalecendo a cultura DIY, do zero estoque, do zero desperdício e das possibilidades virtuais de customização.

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Podemos então enfatizar que os netizens não somente vivem em um mundo digital, mas em um mundo colaborativo, vivendo em uma zona intermediária do mundo real e digital. Sendo assim, a convergência é fundamental para o sucesso da tecnologia. Quando há uma união sintonizada entre o mundo físico e o digital, temos a melhor receita. Ao aplicarmos estes princípios tecnológicos ao mundo real, abrimos uma porta para pensar desde os formatos de lojas interativas, ao processo industrial transparente e inteligente e ao escritório compartilhado. Através da força coletiva digital, conseguimos força de propulsão no mundo real.

The Window Shop – A loja interativa da NET-A-PORTER, em Londres.
The Window Shop – A loja interativa da NET-A-PORTER, em Londres.

Ao repensar estas características, repensamos nossa arquitetura empresarial. O desafio é a
correspondência de forma e função, visualizar a presença de outros, personalizar espaços e coreografar a conectividade. Ao projetar estruturas de alta qualidade e sustentáveis ​​que fundem o físico e o virtual, as empresas serão capazes de fortalecer suas relações com clientes e funcionários e promover comunidades leais, interativas ​​e humanas.

A tecnologia é a ferramenta, o social é o caminho.

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