Inovação em design é tema do primeiro dia do Rio Moda Discute Internacional 2017

Por Thaís Silveira

A busca pela inovação no design de moda marcou o primeiro talkshow da sexta edição do Rio Moda Discute Internacional 2017. Dudu Ramalho, da Era Jeans; Lívia Campos, da Beira; e Luíz Walchelke, da Ahlma, foram os convidados do debate conduzido por Alessandra Marins no primeiro piso do Shopping Leblon. Ao apresentarem suas marcas, os convidados mostraram que inovar não está necessariamente ligado à tecnologia, mas a um processo artístico de experimentação.

Foi nesse caminho que Dudu Ramalho começou. Por sentir uma carência de encontrar uma roupa diferente, ele passou a produzir o próprio vestuário. O estilista cresceu na fábrica de jeans do pai, um dos criadores da Phillipe Martin, marca carioca de jeans, e trouxe o trabalho manual para a peça. Hoje, já são 11 anos no mercado. No talkshow, Ramalho ressaltou que a produção dele é recheada de descobertas ao longo do desenvolvimento dos produtos. “Inovação faz parte do meu processo de criação. Eu vejo como funciona o tecido, o pigmento. Gosto de arriscar e sempre dá certo. Crio peças bem diferentes e uma nunca é igual a outra, não sigo um padrão”.

Rio Moda Discute Internacional Talkshow Nacional dia 01

Outra prova de experimentação constante é o trabalho de Lívia, idealizadora da Beira, que nasceu há quatro anos. Formada em Desenho Industrial, ela cria roupas em silhuetas masculinas, mas que também são voltadas para o público feminino. Segundo ela, peças monocromáticas chamam atenção para a modelagem. Por isso, as coleções da Beira, além de reduzidas (cerca de 12 peças cada uma), ainda têm uma cartela de cores pequena. Segundo Lívia, o intuito é uma dialogue com a próxima. Além disso, em seu processo de criação, a designer afirmou que começa a produzir os modelos com formas, ao invés de desenhos. “Trabalho com formas para enxergar melhor. Faço partes da roupa e vou juntando-as para criar uma peça. Começo com dobraduras ou amassados, por exemplo, que depois são passados para uma modelista”.

Walchelke, coordenador de estilo da Ahlma, levantou a questão da crise na moda e o que pode ser feito para resgatar o valor dela. De acordo com ele, o principal foco no momento é minimizar os impactos ambientais provocados pela atividade. Por isso, a Ahlma busca matérias-primas excedentes. “Perdemos a previsibilidade, então invertemos o processo de criação e adaptamos ideias, porque não sabemos quais matérias-primas vamos encontrar. No começo, eu ficava desesperado”, contou ele.

Walchelke frisou que a Ahlma não inventou essa forma de produção, mas que a ela está institucionalizando a prática. Segundo ele, a marca vai precisar buscar novas soluções à medida em que for crescendo. Atualmente, há uma loja da Ahlma no Leblon e um e-commerce. Perguntado sobre o futuro da moda, ele acredita que as marcas não vão mais deter o segredo da roupa. “Acho que vai haver um resgate de fazer a própria roupa. É importante partilhar esse processo com o consumidor, porque nos conscientizamos ao criar a roupa e nos envolvemos com ela. O futuro vai ser colaborar, cocriar”.

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