Bastidores: 24 horas antes do desfile da The Paradise na quarta edição do Veste Rio

Por Karina Gaudereto e Paula Laureano – 30 de outubro de 2017

O Instituto Rio Moda acompanhou os últimos preparativos para o desfile de lançamento da coleção Nº5 da The Paradise, que aconteceu na quarta edição do Veste Rio.

Terça-feira. 12h30. Terceiro andar do Marriott Hotel, no Porto Maravilha. O estilista Thomaz Azulay está pensativo. Calmo, mas pensativo. Menos de 24 horas para o desfile de lançamento da nova coleção, é a hora de fazer a prova de roupa nas modelos. Patrick Doering, parceiro de vida e negócios de Thomaz, e o assistente Felipe o ajudam no desafio: analisar com precisão a combinação das roupas com cada uma das 8 meninas e dos 2 meninos: levando em consideração altura, cor de pele e cabelo, quem valorizava mais o look?

Segundo Patrick Doering, um dos imprevistos que antecedem os desfiles são os sapatos que não cabem nos pés das modelos, cujo tamanho médio padrão hoje é 38. “O mais complicado mesmo é o pé. A roupa você ajusta, pé não tem o que fazer, não dá para alterar na hora (risos), conclui. Para o desfile, a The Paradise fez uma parceria com a marca paulista de sapatos Lucas Regal, enquanto a Prishma ficou responsável pelos acessórios.

Diferente do esperado, nenhum ajuste precisou ser feito nas 10 peças selecionadas para o desfile. Mas ainda havia mais 15 para serem levadas para o estande do evento no dia seguinte. O trio, então, seguiu para a fábrica da marca, no bairro Rocha, na Zona Norte da cidade, onde terminariam os ajustes finais.

A grife, junto com outras nove, é parte do projeto Novos Talentos, iniciativa do Veste Rio que apoia marcas com até cinco anos de trajetória e que ainda não tenham desfilado no calendário oficial da moda brasileira. As duas edições anuais do Veste Rio regem a programação da The Paradise. Participar dos desfiles é de extrema importância, porque é a chance dos compradores de multimarcas de todo o Brasil verem a coleção e efetuarem os pedidos na hora.

 2h50. Fábrica The Paradise. “Welcome to the Paradise”. A fábrica é mais uma espécie de estúdio. Com cerca de 60m2 e uma porta enorme dourada, mesas de escritório e notebooks se misturam com duas máquinas de costura, araras, quadros coloridos e enfeites divertidos. A trilha sonora, com músicas da MPB, combina com a atmosfera calma do ambiente. Dona Helena, a costureira, comandava, junto com Thomaz, as máquinas de costura. Cada um com a sua, alinhavavam as últimas peças e pregavam os botões que faltavam.

Suas coleções, que são basicamente temáticas, já foram desde o México até a família real portuguesa, partindo sempre de um universo bastante ilustrativo e figurativo. A começar pelo próprio símbolo da marca, um unicórnio. A primeira coleção cápsula, de Alto Verão, mostrou cenários paradisíacos, com elementos mágicos, como sereias e o próprio unicórnio, num Rio de Janeiro meio inabitado.

Desde então, os shapes clássicos da marca permaneceram: camisa quadrada de seda, pantalona, saia lápis. Tudo feito por estamparia digital – imagens impressas diretamente no tecido, técnica cada vez mais popular no mundo da moda. Para essa coleção, com o tema “Rússia”, Thomaz misturou o lado folk da marca com um perfil mais exagerado.  “A gente quis retratar uma Rússia mais europeia dos czares, mais ocidentalizada, por isso a coleção é 100% figurativa, com jóias, porcelanas, forte parte militar de gala”, comenta.

Quarta-feira. 11h. Com três disposições de passarelas e um longo front row, que incluía a equipe da Vogue Brasil, realizadora do evento junto com o Caderno Ela, do jornal O Globo, e influenciadores da moda brasileira, o desfile das 10 marcas dos Novos Talentos começou com um pouco de atraso. A mãe, a avó do Thomaz e a mãe do Patrick também esperavam para prestigiá-los na primeira fileira.

A marca foi a segunda da sequência e, como programado, mostrou seu estilo “decorativista cool”, que sempre foi parte do DNA “The Paradise”. Com uma música contagiante e marcada, modelos percorriam a passarela. Jaquetas jeans e parkas de sarjas contrastavam com seda e estampas ilustrativas. Sucesso. O desfile terminou com aplausos fortes e comentários positivos sobre a coleção, enquanto Thomaz e Patrick agradeciam rapidamente antes da marca carioca Haight entrar.

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