A moda inteligente é o futuro

Por Karina Gaudereto

Quase 50 anos após o surgimento da internet e poucas décadas após o início da robotização, o dia a dia tem sido cada vez mais dependente desses mecanismos. A automação, que está intimamente ligada ao desenvolvimento humano, começou logo na pré-história, quando o homem já procurava meios de mecanizar suas tarefas, com moinhos de vento para moer trigo e rodas d’agua, por exemplo, para, posteriormente, avançar na criação das máquinas à vapor como fonte de energia, em substituição à energia muscular (manual) e hidráulica.

Sem pausa e nem demora, a automação passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina das pessoas. Segundo um estudo feito pelo MIT e a Universidade de Boston, cada robô adicional na economia dos Estados Unidos representa 5,6 trabalhadores a menos, e cada robô adicionado à força de trabalho, a cada mil trabalhadores humanos, faz os salários caírem entre 0,25% e 0,5%. Na indústria automobilística, robôs já criam carros; na medicina, eles já fazem cirurgias humanas. Mas é na moda que esse mecanismo tem chamado mais atenção na forma como se produz e se vende. Recentemente, a Nike investiu em uma startup chamada Grabit, que, através da eletroadesão, máquinas passam  a trabalhar 20 vezes o ritmo dos humanos.

No início de todo o processo de mecanização das empresas e das funções, seria quase inimaginável a possibilidade do surgimento de um tecido sensível ao toque. Mas a renomada marca de jeans americana Levi’s investiu no feito. Com $ 350 na jaqueta da marca, é possível controlar seu smartphone através da inserção de uma pequena “etiqueta” na manga. Após emparelhá-lo com um aplicativo ao seu celular, você já está pronto para usá-lo – de diversas maneiras. Gps, músicas, pesquisas, ligações… Há, inclusive, um gesto, apenas segurando a mão no tecido, que é codificado para simplesmente desligar o telefone.

Foto: MASHABLE/KARISSA BELL

 

Do outro lado do oceano, a grife britânica Burberry não robotiza seus funcionários, mas aproveita da tecnologia para atrair seus clientes, que, ao entrarem em uma de suas lojas, são surpreendidos por assistentes de vendas que usam tablets para oferecer sugestões de compra com base no histórico de compras de seus clientes, bem como suas atividades de mídia social. Mas a “inteligência artificial” que a marca utiliza não para por aí. Os produtos em suas 500 lojas espalhadas por 50 países também estão equipados com etiquetas RFID que podem se comunicar com os celulares dos compradores, fornecendo informações sobre como os itens foram produzidos ou recomendações sobre como eles podem ser usados. A marca também foi a primeira no mundo a usar o recurso “Snapchat Snapcode”, que permite aos clientes desbloquear informações escaneando códigos de barras anexados aos seus produtos. Em 2015, a empresa anunciou que seu investimento em programas personalizados de gerenciamento de clientes resultou em um aumento de 50% na fidelização de consumidores.

Fora do mercado de moda, recentemente, a Target, maior provedora de informações tecnológicas da América Latina, anunciou a primeira parceria com o Pinterest – rede social de compartilhamento de fotos. A ideia é integrar a tecnologia de pesquisa visual conhecida como Lens em aplicativos do Target e, mais tarde, no site da rede. O acordo permitirá que os clientes Target peguem uma foto de qualquer produto e depois encontrem itens similares disponíveis para venda na própria Target. O Pinterest, que agora é usado por 200 milhões de pessoas em todo o mundo, investiu fortemente em sua tecnologia de busca visual para transformar a câmera do smartphone em um mecanismo de busca de produtos. A ideia é que, quando um consumidor vir algo que gosta no mundo real, eles possam simplesmente tirar uma foto com o aplicativo da Pinterest, depois descobrir informações adicionais, como comprar o item ou saber quanto custa.

No entanto, esta não é a primeira vez que a Pinterest licenciou sua tecnologia Lens – apenas a primeira vez em um ambiente de varejo. A empresa já permitiu que a Samsung incorporasse sua tecnologia de descoberta visual no Galaxy S8 e no Bixby Vision, permitindo aos proprietários do S8 obter sugestões de produtos através da aplicação nativa da câmera, procurar imagens na web no navegador da Samsung e pesquisar fotos existentes na sua galeria de fotos.

Foto: Techcrunch

 

No mesmo contexto, a nova marca de streetwear e tecnologia TwentyFour15, lançada na London Fashion Week, veio como um protótipo para o futuro, baseada nos consumidores da geração Z – pessoas que nasceram entre o começo dos anos 90 e o fim da primeira década do século XXI, e que tem a tecnologia em seu DNA.

Focada na juventude, TwentyFour15 é uma linha de aparência de fibra óptica, colorida e conectada a aplicativos. Em um sentido literal, isso significa t-shirts, mochila e uma jaqueta de bombardeiro que estão conectados por meio de bluetooth a um aplicativo que controla as luzes LED incorporadas nelas. Inicialmente, a funcionalidade é simples – há uma roda de cores para mudar a sombra das luzes e um recurso de música que permite ao usuário sincronizá-los para que eles também se animem ao ritmo. A marca pertence à XO, agência por trás das peças feitas de tecnologia wearable, incluindo um dos vestidos de Lady Gaga e o vestido Tinkerbell Light-up de Richard Nicoll.

Aparentemente, não há nada que possa frear a tecnologia de invadir a rotina das pessoas, o modo como se faz negócios e a forma como produzimos produtos e conteúdo. A moda inteligente é o futuro.

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