A COBERTURA IDEAL DE ESTOQUES PARA MODA


Por Lisete Almeida

Por sua natureza criativa, a Indústria de moda possui diversas variáveis, muitas controláveis e outras incontroláveis, tornando o segmento Varejo de Moda bastante mais complexo do que os demais segmentos. Dessa forma, aplicar os conceitos, ferramentas e metodologias de gestão ao segmento de Moda torna-se um exercício complexo e desafiador. Sempre que ministro cursos ou facilito workshops sobre planejamento de vendas e gestão de estoques para o setor de Moda, uma pergunta recorrente surge “Qual a cobertura ideal de estoque (relação estoque/venda) que garanta a venda planejada e potencialize a rentabilidade? ”. A única resposta possível continua sempre a mesma “Depende… Depende de vários fatores quantitativos e qualitativos, além de recursos disponíveis, métricas e indicadores de performance do seu próprio negócio”.

Os gestores de Moda, especialmente os pequenos e médios empresários, deveriam dedicar mais tempo a debater e refletir sobre a natureza dos impactos negativos da sua performance operacional na gestão dos estoques. Estabelecer o estoque ideal para garantir a venda, a rentabilidade do negócio e ainda atender o grande desafio desse milênio – atender as necessidades e desejos dos consumidores de forma flexível em qualquer ponto de contato da marca, seja online ou offline – merece uma atenção especial. O que significa estabelecer um equilíbrio entre três variáveis conflitantes entre si – metas de vendas crescentes, coberturas de estoque baixas e níveis de rentabilidade suficientes para remunerar o empresário e garantir o reinvestimento na manutenção ou expansão do próprio negócio. Sempre lembrando que a lucratividade de uma empresa de Moda é inversamente proporcional ao tamanho das suas sobras ao final de cada coleção. Questões nada simples de serem endereçadas.

 

Antes de estabelecer os estoques ideais, precisamos estabelecer quais as metas de vendas possíveis de alcançar e não o contrário. É muito comum os gestores tomarem decisões de aumentar as suas compras, aumentando os seus estoques, acreditando que isso é suficiente e determinante para o aumento das vendas. Como, na maioria das vezes, a venda não acontece de acordo com as expectativas que levaram ao aumento das compras, os excessos de estoques por canal e por lojas são sempre o resultado final desse cenário. Como consequência vemos diversas empresas com dificuldades financeiras, não possuindo capital de giro suficiente para honrar os seus compromissos do dia a dia.

Crescimento em vendas não pode ser fruto de expectativas e de “achismos”, mas sim resultado de estudos e análises constantes e consistentes do plano de sortimento, da qualificação e performance da equipe de Estilo e Compras, do posicionamento do seu negócio alinhado com a vocação da empresa e de seus sócios, da forma como seu público alvo realmente te percebe, da gestão cuidadosa das rupturas de estoques, das margens de contribuição, das métricas de vendas e, por fim, de uma análise criteriosa do capital de giro existente ou a ser captado.

Como escrevi num artigo anterior, o empreendedor pensa sempre na melhor forma de vender e nos canais que facilitarão a sua expansão, mesmo antes de verificar se sua operação é rentável, ou mesmo, se o capital de giro é suficiente para suportar uma expansão ou aumento de vendas.

Para aqueles que ainda não estão priorizando ou se dedicando com afinco aos pontos mencionados nesse artigo, está na hora de rever suas posições e se espelhar nas empresas que já vem adotando melhores práticas na gestão de vendas e estoques. Portanto, mãos à obra!

+ Saiba mais: One Day Workshop Cobertura Ideal de Estoques para Moda

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